Estação de campo da Peneda (Peneda Field Station)
castro laboreiro (melgaço)
inescabral@hotmail.com
tel: 251 794 016 (ECP)
http://www.weatherlink.com/user/ecp/
(dados meterológicos diários da ECP em tempo real)
http://castrejos.blogspot.com/2008/01/estao-de-campo-da-peneda.html
(programa Biosfera exibindo a estação de campo da Peneda)
(paper da SB`07 sobre a ECP)

A ECP é uma ideia já antiga para colmatar uma necessidade que persistia na área do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Sendo o único Parque Nacional português, esta área protegida tem sido alvo de vários estudos de ecologia. Grupos de alunos e professores de ecologia podem agora usufruir de instalações dignas para fazer o trabalho de campo e ainda para realizar encontros para discutir trabalhos e resultados de estudos nacionais e internacionais em comportamento animal e conservação da natureza. Assim a ECP oferece uma sala de aulas para 16 pessoas e acomodações para grupo de 10 num edificio de pedra restaurado com condições de conforto moderno e tecnologia de ponta.


estação de campo com carvalho centenário
Localização
Localizada na Inverneira de Podre (a 3.5 Km de Castro Laboreiro), agora semi-abandonada e muito próxima de um denso carvalhal onde se pode encontrar o mais antigo carvalho da região, a ECP apresenta características de construção sustentável. Equipada com paineis solares e aquecida com biomassa, a adaptação/reconstrução do edificio obedeceu a critérios determinantes para uma certificação ambiental pelo sistema LiderA, obtendo a classe A+ no dia 27 de Maio de 2009.


O edificio original
O edificio original continha uma habitação no segundo piso e cortes para animais no piso térreo. A construção data dos anos 30 e consistia em alvenaria de pedra de granito e estrutura da cobertura em madeira de carvalho, ambos extraidos no local. A cobertura é em telha de marselha. O edificio está localizado na vertente virada a nascente do vale do rio Laboreiro com as seguintes coordenadas, 42º latitude e 8º de longitude, a uma altitude de 800m, no concelho de Melgaço cujo clima é classificado por I3-V1. A área de implantação é de 50m2, o pátio tem cerca de 75m2, extendendo-se o lote por mais 1000m2 na direcção descendente do vale.

edificio existente vista da varanda virada a nascente
O projecto
O edificio foi recuperado de forma a manter a área de implantação conforme PDM mas a cobertura foi levantada 1metro para dar lugar a um meio-piso onde se criou uma camarata.
O piso térreo comporta 2 quartos, uma casa de banho e uma kitchenete. Foi ainda criado um pequeno laboratório.
No piso superior encontramos a sala de aula e ainda uma sala de estar e casa de banho. No anexo foi instalada a maquinaria para o sistema de aquecimento de águas domésticos e piso radiante.
Na camarata encontram-se 6 camas e o espaço de biblioteca.
alçado nascente alçado norte alçado poente



planta do r/c planta do 1º piso planta do piso da mezanine
O conforto térmico, luminico e a qualidade do ar
O edificio tinha um excesso de massa térmica combinado com vãos demasiado pequenos para captação solar. O edificio foi isolado com aglomerado negro de cortiça em toda a envolvente interior e a massa térmica foi tranferida para as lajes de betão aparente acabadas a cimento branco. Foram abertos novos vãos virados a sul, e a nascente que possibilitam a iluminação natural em todos os espaços e ainda a ventilação natural de forma a manter uma boa qualidade do ar. Na maioria dos vãos existem janelas basculantes de forma a permitir o arrefecimento nocturno durante o Verão.
O vidro utilizado é duplo da SGG Climalit com caixa de ar de 12mm, sendo o vidro exterior laminado de 6mm. As portadas exteriores permitem proteger os vidros do frio nocturno e da intrusão. As portas de entrada são em vidro e possuem antecâmaras para protecção contra a chuva e correntes de ar no Inverno.
Os materiais
Os materiais utilizados foram escolhidos com critérios de sustentabilidade. Um grande volume de materiais foi reutilizado, nomeadamente a pedra, o carvalho e a telha.
A madeira utilizada para a estrutura da cobertura é pinho lamelado colado com certificado de proveniência de uma floresta sustentável. O isolamento da envolvente foi feito em aglomerado negro de cortiça (5cm nas paredes de pedra, 5cm no pavimento e 10cm na cobertura). A pedra da fachada foi mantida aparente no exterior.
A fim de minimizar o uso de materiais, foram utilizados paineis de papel reciclado e gesso (Fermacell) para recobrir as paredes de pedra pelo interior depois de devidamente isoladas. Esses paineis são facilmente removiveis para se poder aceder às tubagens. O piso radiante foi acabado em betonilha à base de cimento branco. As louças sanitárias são da Sanindusa e as torneiras também.
Os acabamentos foram escolhidos por conterem valores mínimos ou inexistente de VOC`S.

azulejo partido reutilizado piso radiante estrutura em madeira lamelada certificada aglomerado de cortiça e OSB ladrilho de cortiça c/ velatura à base de cera de abelha

painel Fermacell (gesso e papel reciclado) teste de radão telheiro com carvalho reutilizado e telha reaproveitada porta em vidro c/antecâmara

teste de formaldeido c/ frascos borbulhadores teste de COV`S com tubos Tenax
Consumo de água
A água é aquecida por meio de paineis solares térmicos. As torneiras têm redutores de fluxo e nos banhos as torneiras são termostáticas.
As sanitas têm dupla descarga. As águas pluviais são recolhidas em tanques de rega. As máquinas de lavar têm baixo consumo de água por ciclo.

casca de pinheiro no pátio socalcos para contenção de aterro, construido com galhos de salgueiro e arbustos nativos
Consumo de electricidade
O consumo foi minimizado através do uso de lâmpadas compactas fluorescentes. As máquinas de lavar roupa e loiça utilizam a água solar através do sistema Alfa Mix


Todos os electrodomésticos são de classe A. No exterior as luzes de presença são de tipo LED ou têm sensor de movimento.
Existe alternativa de usar um forno solar para cozinhar no Verão.
O aquecimento central
O aquecimento central é feito à base de energia solar combinado com biomassa. O sistema de backup é uma salamandra de alta eficiência à base de pellets.
paineis solares com 40 graus de inclinação virados a sul equipamento solar: depósito, salamandra fogão de sala a lenha proveniente da demolição
Efluentes domésticos e residuos.
Está prevista a construção de uma fito-etar. Existem contentores para recolha de papel na sala e de triagem de lixo na cozinha.A compostagem é opcional.
Manual de utilização do edificio:





Projecto de Arquitectura: Maria Inês Cabral
Projecto de engenharia: José Martins Nascimento- Rusticidades Lda
Construção: Raul Gonçalves e filhos Lda
A Serra da Peneda faz parte do PNPG e é uma das áreas mais bem conservadas de todo o Parque . A zona perto de Castro Laboreiro (situada nos Montes Laboreiros) alberga várias espécies como o lobo, corço, gatos selvagens, garranos, víboras, ratos do campo, musaranhos, ouriços, águia real e tartaranhões. Além de observaçáo de vida selvagem, a região está dotada de lagoas naturais e património construido de elevada importância como é o caso de uma ponte romànica e outra celta e ainda de um conjunto notável de 100 antas, aqui chamadas de mamoas (na zona do planalto de Castro Laboreiro). É recomendável a visita ao castelo de Castro Laboreiro e ao museu onde se encontra uma exposição sobre o ordenamento do território da região. Na região pode-se praticar canoagem, equitação e também apreciar a excelente gastronomia local. Perto da fronteira com o Parque De Baixa Limia- Xurés pode-se também usufruir das águas termais do Rio Caldo. Para mais informações: http://peneda-geres.naturlink.pt/new_page_23.htm







